quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

PIGS



Em dia de CDS's na Europa em alta, vale falar do Gavekal de ontem com análise sobre a situação fiscal européia a partir da Itália, ou vice-versa...

Os franceses de HK não enxergam a Grécia como problema suficientemente grande para dar cabo do Euro, e tudo o que ele representa, porque a comissão européia irá socorrê-la. Lembram que um dos candidatos a seguir o mesmo caminho é a Itália, por causa da relação dívida/PIB - 114%!, e que nesse caso o estrago seria colossal porque a negociação de títulos do país é a terceira maior do mundo, atrás apenas de EUA e Japão.
A partir daí o relatório enumera alguns motivos para mostrar que o temor com relação a Roma é exagerado:

- é um dos poucos países com projeção cadente da relação dívida/PIB.
- *ajuste fiscal iniciado na década de 90, ainda contou com o benefício de juros mais baixos após sua adesão a união monetária da eurozona.
- sem estímulos significativos para combater a crise recente, as finanças ficaram relativamente estáveis, com um déficit aprox. de 4.5% do PIB.
- as intervenções no sistema financeiro somaram apenas 0.1% do PIB.
- 100 bi de euros repatriados com o incentivo da anistia fiscal.


Eles falam também que o fato da península ter passado por um período de baixo crescimento (+- 1.5%) no período anterior a crise colaborou para que, diante da significativa queda de quase 5% em 2009, o (des)ânimo pouco fosse afetado. Isto soa estranho, sem dúvida, mas eles prosseguem e defendem que, apesar do inexpressivo estímulo, a economia italiana deverá se recuperar tanto ou mais do que a maioria dos comunitários e citam que o índice de confiança econômica se encontra acima de sua média histórica.

Concluem que o I dos PIGS não se remete a Itália mas a Irlanda, e que apesar do país ainda ter que se confrontar com diversos problemas (baixa produtividade, infraestrutura precária, dívida altíssima), seu setor exportador é o mais sensível ao câmbio e na tendência de queda fo Euro, será um dos mais beneficiados. Apostam que os altos spreads da dívida soberana carregam a má reputação histórica, que não reflete a atualidade, mas que em breve estarão significativamente abaixo dos espanhóis.

Eu já prefiro por mais um I e apostar que logo logo a Fontana de Trevi voltará a ter liras em seu fundo.






* As reformas no sistema previdenciário e no funcionalismo público tiveram parcela importante na melhora das contas públicas.

0 comentários:

Postar um comentário