segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Spreads


Aproveitando o gancho do artigo do príncipe, sobre quem fez o que, achei oportuno abordar algo que nenhuma das facções conseguiu resolver.

Ultimamente tenho recebido muitas ofertas de crédito pessoal, provenientes de bancos e cartões de crédito. Como este início de ano pinta muita cobrança pela fresta da porta, dei uma checada nas condições. Os prazos máximos para a quitação variam de 10 a 18 meses, mas os juros...

Creio que um dos maiores inibidores de desenvolvimento seja a escassez de crédito. O relativamente avançado mercado de capitais no Brasil é incompatível com os níveis de spread bancário, tanto para pessoas físicas como para pequenas e médias empresas. Enre os fatores alegados para esta distorção estão a insegurança jurídica, que faz com que as instituições adotem posições defensivas e cobrem um alto prêmio de risco pela hipótese de inadimplência; altos custos administrativos; uma carga fiscal sem par; a maior exigência de depósitos compulsórios deste sistema solar (se for mentira, atire-se pedra...); o crédito direcionado - e subsidiado; a também anomala Selic; além, evidentemente, da gula dos bancos, cuja a saciedade, segundo alguns críticos, só é satisfeita por causa da baixa concorrência.

Esta deficiência do sistema não é de todo negligenciada, e há estudos tanto sobre as motivações como para a melhor metodologia a ser adotada para uma mensuração mais acurada do spread.

Quando se verifica as justificativas isoladamente a conclusão não é simples, pelo menos pra mim.
- Parecem ter razão aqueles que recorrem a dificuldade de recuperação dos créditos como componente importante do spread, pois de acordo com o nível de alavancagem das instituições no Brasil ( aproximadamente 6 vezes - BIS) e a inadimplência reportada, os números atribuídos a este item são realistas.
- Quanto aos custos administrativos eu acho mais complicado. Há inúmeras tarifas de serviços cobradas pelos bancos que servem para compor as receitas e, portanto, cobrir ao menos parte dos custos de manutenção institucional.
- Sobre os impostos desnecessário comentar.
- O que mais me chama atenção é a pequena parcela atribuída pelo método do Bacen aos compulsórios e créditos direcionados. As alíquotas de compulsório são hoje de 47% para depósitos à vista (5% remunerados), 30% para poupança (10%) e 17,5% para depósitos à prazo (13,5%). Para o crédito agrícola devem ser direcionados 25% dos depósitos à vista, e da caderneta de poupança 65% devem ir para o crédito imobiliário.
- A parcela de lucro dos bancos nada mais é do que o que sobra após a dedução de todos os itens acima, portanto, na hipótese de haver equívocos na contabilização dos mesmos, o resultado será super ou sub estimado. De qualquer forma a rentabilidade (pelo ROE) histórica dos bancos locais não é tão superior a do resto do mundo e fica em linha com a dos emergentes. Retornos extraordinários iriam naturalmente atraír maior concorrência.

O governo até age e, em mais uma de suas folclóricas interpretações, chegou a demitir com certo estardalhaço o presidente do BB e afirmou que utilizaria este e a CEF para forçar a queda dos spreads e incentivar a concorrência. De fato, entre os grandes bancos, as taxas da CEF são mais baixas e o BB mostrou-se voluntarioso após a troca de comando, porém a diferença é marginal e o movimento não sensibilizou a concorrência.




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