quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

stop


 registro:  hoje caçaram o meu stop a 1 ponto do topo.

 sentimento de ser um iluminado...

 ;^(


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

cada um com a sua folia

Mario Henrique Simonsen


 no domingo de carnaval, dia 19 próximo, o Simonsen completaria 77 anos. não é uma data redonda, com apelo memorial, mas aconteceu de eu descobri-la ontem.

o MHS foi a figura que mais  inspirou o meu interesse por economia e finanças. muito antes de eu sonhar em entender o que significava orçamento, balanço de pagamentos, juros e etc, aquela autoridade que aparecia na tv, muitas vezes ao lado de um gordo que era imitado pelo Jô Soares - ou assim fantasia minha enganosa memória -, transmitia imponência, e me passava a imagem da sabedoria no meio daquele caos de %%%.

muitas aulas de matemática, português e moral e cívica (pois é, as barbaridades que se lêem por aqui têm base acadêmica, e não é qualquer geração que tem o privilégio de desfrutar de tão fantástica disciplina...) mais tarde, eu, eventualmente, quando o caderno de esportes estava fraco,  passei a checar a seção de economia, que ainda não contava com os préstimos da Mirian Leitão.

 foi nessa época que eu descobri que o otário que pagava aquele montão de juros sobre os CZ$ 50 que eu ganhara do meu avô no natal era eu mesmo.  antes disso eu achava que overnaite era uma máquina que só funcionava a noite, e cuspia uma soma de dinheiro sempre maior do que aquela que o funcionário do banco lhe enfiava, conforme orientação do esperto.

 mas enfim, o que importa é que o Simonsen escreveu bastante naquele período, e sempre de forma clara e agradável. eu não faço idéia de como classificá-lo no aspecto salt x fresh, mas seguramente não o trataria como ortodoxo. abaixo seguem trechos sobre temas que estão, ainda hoje, - alguns lamentavelmente- em voga. e que revelam episódios surreais da história brasileira recente e até contradições do autor.



 " ...falar em política monetária folgada quando a taxa real de juros anda em torno de 30% ao ano sugere que há algo de podre, não no reino da Dinamarca, mas na ordem econômica estabelecida [no Brasil].


" O nó gordio da indexação é a legislação salarial. Não que ela estenda ao trabalhador maior proteção contra a inflação do que a conseguida pelos proprietários de ativos financeiros, ao contrário."

"Desindexação e Reforma Monetária"
 - Conjuntura Econômica, novembro de 1984.


" Até que ponto os decretos-leis nºs 2.283* e 2.284 aplicaram ao Brasil um choque heterodoxo, eis uma questão semântica. O que se fez, de fato foi quebrar a inércia inflacionária resultante de um sistema de indexação generalizada, que reajustava periodicamente rendimentos e preços pela inflação passada.

" Curiosmante o chamado choque heterodoxo restaura a importância da política monetária...quebrada a inérica dos aumentos de preços, é preciso impedir que a inflação ressurja pelo descontrole dos meios de pagamento."

"O Cruzado e a Política Monetária"
 Carta Mensal Convenção, março de 1986

 * (não existe no original)  - Art. 36 do Decreto Lei 2283/86

 Todos os preços, inclusive aluguéis residenciais, são expressos em cruzados e ficam, a partir desta data, congelados nos níveis do dia 27 de fevereiro de 1986, admitida a revisão setorial e temporária pelos órgãos federais competentes, em função da estabilidade da nova moeda ou de fenômenos conjunturais.
Parágrafo único. O congelamento previsto neste artigo poderá ser suspenso por ato do Poder Executivo, na forma disposta pelo regulamento deste decreto-lei.


 

 "... o Plano Cruzado foi aplaudido por todo o Brasil como uma cirurgia brilhante: tratava-se de romper a inflação inercial, em que os preços subiam a galope poque todos achavam que os demais preços e salários continuariam aumentando...


Cortar a inflação pela receita ortodoxa da austeridade fiscal e monetária não era solução hábil para liquidar com altas de preços de 15% a 20% ao mês...só se conseguiria...depois de uma vastíssima recessão.


A saída inteligente seria abater as expectativas inflacionárias com um congelamento temporário de salários e preços, permitindo que se saísse da loucura inflacionária sem passagem pelo purgatório.

[para dar certo] ...o congelamento deve limitar-se a um breve período..."


"Ascensão e Queda do Choque Heterodoxo"
Carta Mensal Convenção, novembro de 1986






"1987 não deixa saudades...Terminamos o ano com inflação recorde...crescimento pífio, as contas públicas em desequilíbrio...


 Em boa parte, as mazelas de 1987 fora a Quarta-Feira de Cinzas do Plano Cruzado. O que poderia ter sido hábil anestesia para preparar uma verdadeira cirurgia antiinfalcionária acabou sendo mais uma tentativa frustrada de aumentar salários e congelar preços, semelhante ao que fizeram Allende no Chile, em 1971, e Péron na Argentina, em 1973.


...não captamos a lição do fracasso do Plano Cruzado... A Nova República resolveu continuar buscando soluções heterodoxas, como se o conhecimento acumulado aqui e alhures para nada servisse...


Primeiro foi a moratória...declaramo-nos falidos quando o superávit comercial de US$ 11 bilhões provou que éramos absolutamente solventes.


 Para que serviu a moratória? Só para criar dúvida externa..."



"Desafios para 1988"
 - O Globo, dezembro de 1987






"Para espanto geral dos economistas, a Constituinte aprovou por maioria esmagadora a emenda que limita em 12% ao ano a taxa real de juros. 


Uma emenda anistia os débitos bancários de microempresas e dos pequenos e médios produtores rurais situados nas áreas da Sudene, Sudem, vale de Jequitinhina em Minas Gerais. Outra, menos regionalista, anistia a correção monetária de vários empréstimos, inclusive daqueles contraídos entre 28 de fevereiro e 31 de dezembro de 1986.


O que os constituintes não parecem ter entendido são dois fatos elementares: 
a) para que haja devedores é preciso que haja credores, e vice-versa; b) os bancos não vivem de intermediação de empréstimos dos seus recursos próprios, mas são meros intermediários financeiros, captando dinheiro de uns para emprestar a outros.


Tabelar juros na constituição é um absurdo, ainda que se trate de juros reais, não apenas nominais. Mas legalizar o calote é, no mínimo, absurdo ao quadrado.

No segundo caso, o que está em jogo é a exaltação a irresponsabilidade."


"Velas "Constitucionais" para santa Edwiges"
 - O Globo, junho de 1988







"A inflação só irá cessar pela lei da oferta e da procura e não por soluções de magia."

"O Congelamento tem que acabar logo" (sobre o Plano Verão)
- Exame, fevereiro de 1989




"Combater a inflação com choques heterodoxos cada vez que ela chega a 30% ao mês é tão recomendável quanto o tratamento de depressão com drogas."

"A Hiperinflação e a Cocaína"
- Exame, junho de 1986.



" Certamente o plano [Collor] escolheu o caminho mais seguro para derrubar a inflação a curtíssimo prazo, pois, com o sequestro de liquidez, a infalção teria de para por falta de oxigênio Dois meses de estabilidade não provam que a inflação tenha sido debelada. Ela pode estar simplesmente adormecida, como aconteceu com o Plano Cruzado...


O ponto central é que o Plano Brasil Novo não apenas encolheu a oferta de ativos financeiros líquidos. Encolheu também a demanda pela quebra de confiança gerada pel próprio sequestro de liquidez e pelas incidências de IOF, estas caracterizando um verdadeiro confisco.


...não significa que o combate a inflação esteja fadado ao fracasso. Mas o Banco Central tem que pilotá-lo em vôo visual."

"Os Vários Enigmas do Plano Collor"
-Exame, maio de 1990.



"Estável e forte a, a nova moeda européia deverá vestir uma camisa-de-força nos países da comunidade"

"O Rival do Dólar está em gestação"
-Exame, dezembro de 1990



"Fala-se em âncora cambial, mas o plano do Lara Resende é o que menos convém a FHC. O ministro precisa é de apoio do executivo" (sobre a idéia de se criar uma moeda paralela que viria ser a URV.)

"Por que se especula que há um choque à vista"
Exame, setembro de 1993.



"A inflação pode patinar no gelo e se transformar numa híper."

- Exame, fevereiro de 1994.



"O socialismo moreno prioriza os direitos do cidadão assaltante."

"Para um carioca incorrigível, como este escriba, envelhecer testemunhando a decadência do Rio de Janeiro é um final deprimente.
 ...
A desgraça começou em 21 de Abril de 1960 com a transferência da capital para Brasília, obra do delírio de JK, que acreditou ser capaz de construir uma capital mais bonita do que a esculpida pelo criador...


A tragédia consumou-se na décad de 1980, quando o socialismo moreno instalou-se no Rio, priorizando os direitos do cidadão assaltante no confronto com o cidadão assaltado. De fato, o postulado do brizolismo é que o estado não pode conter a maré de criminalidade provocando miséria.
...


No momento em que um governante vem a público afirmando que não pode combater o crime porque é preciso, antes, erradicar a miséria, ele está renunciando a sua condição de governante, convidando o cidadão a parar de pagar impostos. É esse o drama atual do Rio."

"A triste decadência do Rio de Janeiro"
-Exame, fevereiro de 1994






" Com Fernando Henrique, o plano terá chances ponderáveis de dar certo. Com Lula, é melhor encomendar desde já um réquiem."

"Quem vai decidir é o próximo governo."
-Exame, julho de 1994.

 



atualização, graças ao Drunkeynesian eu me toquei de creditar a fonte - os trechos foram retirados do livro "Textos Escolhidos" - organizadores Carlos Eduardo Sarmento, Sérgio Ribeiro da Costa Werlang e Verena Alberti - FVG Editora.






quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

sobreregulação?



 em algum dos sites ou blogs que eu diariamente confiro - ZH, FT, DK, MR e etc, e me penitencio por não ser mais preciso - havia um link para uma carta do Volcker endereçada a meia dezena de entidades, com observações sobre a sua proposta a respeito da proibição de trading por parte das tesourarias dos bancos americanos. no mesmo documento ele responde as críticas que tratam, entre outros temas, do efeito negativo na liquidez de vários mercados e na complexidade da regra.

 bem, há alguns pontos que eu entendo serem bem controversos, e na minha MHO refletem muito mais idiossincrasias do que argumentos lógicos. no entanto, ele se baseia primariamente em algo que eu não consigo contrariar: instituições que explicita ou implicitamente recebem suporte do governo federal têm que estar sujeitas a rigorosas regulações e supervisões.

 só me restam duas perguntas, uma das quais eu já fiz mais de uma vez nas seções de comentários de blogs que eu impregno - e fui igual e cordialmente ignorado em todas as oportunidades, possivelmente pelo alto grau de estupidez contido na dúvida, mas segue por persistência:

 1) por que os bancos têm que ser garantidos por recursos públicos?

 2) se, como diz o Volcker, quem quiser especular deve fazê-lo a partir de empresas que não criem conflitos com a atividade bancária como ele a entende, e nem tenham acesso a rede de proteção pública, por que  tais negócios também seriam sistemicamente importantes (novamente via alguma fonte cotidiana que não me ocorre)?

 se houver resposta, qualquer que seja, amanhã vai rolar um brinde.

 se não houver também...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

aos caçadores de topo



duplo topo duplo



mas há quem diga que se cair...

"We still suggest buying on dips. After a 27% rally from the lows, a small
correction looks probable but we continue to suggest buying on those dips
as Euribor spreads continue to fall."

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

homenagem ao Gabrielli



ps- o volume é apenas um detalhe. aqui o porquê.

uma anvisa para os derivativos


o freak Steven Levitt apresenta um paper do Posner e do Weyl que defende que novos derivativos passem por um processo de testes de uma agência reguladora, nos moldes do que faz a FDA para a aprovação de novas drogas [e alimentos].

 bem, apesar de serem da universidade de Chicago, um é advogado e o outro passa muito tempo na França...

de controle em controle, logo alguém vai dar a idéia de um órgão que controle a publicação e a divulgação de papers.

            






produto social líquido



mais material sobre a discussão quanto aos limites da terra, a desimportância do pib, e a relativização do sistema de preços de mercado.

para mim, particularmente, tá ok. eu posso ser mais frugal na decoração da minha sala, e contido nos meus meios de locomoção.  generosamente, abro mão de algumas fatias da minha porção de carne  e, com algum esforço, passarei a consumir um pouco menos d´água.

se eu fizer muito esforço para trabalhar menos, talvez poupe um pouquinho de energia , mas há algumas coisas que são mais complicadas.

e há outras  sem as quais a vida não é possível.





quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

impagável



roubei outra do Noblat:

 "O PT nunca foi contra isso. Uma coisa é privatização no setor de energia, de mineração, outra é tratar de concessão em setores que não são tão importantes."
Marco Maia (PT-SP), presidente da Câmara, sobre o leilão de aeroportos

ah, bom!









terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

faça o que eu digo...


essa moça  me lembrou, com sua sutil estocada, da entrevista do Andre Lara no "O Globo" de domingo. a abordagem dele é similar àquela do Giannetti de duas semanas atrás, mas em um tom  menos emotivo.

ela foi no ponto. há centenas de milhões de pessoas que estão apenas começando a sentir o gostinho do conforto, da inclusão.

o fato é que o Giannetti, pelo menos, parece ter um perfil mais low profile, a imagem de um intelectual, empresta alguma credibilidade ao desapego. mas o Andre Lara?!

com todo respeito, não que lhe falte intelecto, muito pelo contrário, seu currículo dispensa comentários.

a questão é que na hipótese de, por exemplo, o consumo de combustíveis fósseis ser altamente prejudicial ao planeta, está aí alguém que eu aposto que figura entre o 0,1% da humanidade que mais contribui para tal efeito.


 


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

reação



será que uma hipotética troca no ministério da fazenda iria provocar reação nos mercados similar a que ocorreu com petrobras?


                                      

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012